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Non dubium pro libertate

"If liberty means anything at all, it means the right to tell people what they do not want to hear." George Orwell

Non dubium pro libertate

"If liberty means anything at all, it means the right to tell people what they do not want to hear." George Orwell

O CDS em que eu acredito.

prolibertate, 28.01.20

No passado fim de semana estive, como muitos outros militantes, no Congresso do CDS em Aveiro. Por circunstâncias alheias a mim mas que são um daqueles momentos felizes na vida, tive a sorte de poder estar presente no meu primeiro Congresso do meu partido na minha cidade. Não podia pedir mais.

Bem sei que isto não diz nada a todos vocês que possam estar a ler este texto, mas a mim diz. Para mim, que sou novo, ser do CDS não é uma tarefa fácil. Não o é por diversas razões que não importam para aqui, mas posso dizer que é gratificante. E no final deste texto vão perceber porquê.

Apesar do clima típico de um Congresso onde existiam rivalidades entre listas e candidatos, senti-me em casa. Claro que ser na minha cidade ajudou, mas foi aquele convívio entre militantes tão diferentes e tão iguais que me despertou toda a atenção. Afinal, não é todos os dias que se juntam milhares de militantes num pavilhão com o objetivo de eleger uma nova direção, um novo rumo.

Tive, assim, a oportunidade de ouvir várias pessoas que, ao longo dos últimos anos, venho a admirar. Mesmo discordado com os diagnósticos e as soluções de algumas delas, foi um gosto poder ouvi-las, porque por mais diferenças pontuais que nos separem, a nossa casa, os nossos valores e aquilo que o partido representa é mais importante que qualquer escolha do líder.  No fim, candidato vencedor foi o Francisco. É verdade. Venceu o candidato que apoiei, mas podia muito bem ter vencido outro candidato. A vida é assim. É feita de escolhas e os militantes, neste momento particular do partido, escolheram o Francisco para liderar.

Esta vitória da equipa do Francisco, não deve, por isso, ser um motivo de divisão. Não o deve ser porque, enquanto militante do CDS, acredito que o mais importante é a união do partido com base na nossa carta de princípios. Não importa, ou não devia importar, se é mais liberal, conservador ou democrata-cristão. O que devia importar é que o líder do partido nos representa a todos. Representa os liberais, conservadores e democratas-cristãos. Representa o CDS na totalidade da sua magnitude enquanto partido que engloba os valores da direita democrática. E é por aí que o partido tem que seguir.

Neste contexto tive a oportunidade de discutir com vários militantes. Tive a oportunidade de partilhar com eles que será um erro tanto para a nova direção romper com o trabalho dos últimos anos como será um erro as figuras desse tempo que passou romperem com a nova direção. Principalmente porque não há nada para romper. Há, e acredito que foi essa a razão da vitória da equipa do Francisco, uma necessidade de fazer as coisas de forma diferente. Não é uma dissidência, mas sim uma alternativa.

Como já defendi aqui no blog, uma das principais razões pelas quais apoiei o Francisco é porque acredito que precisamos de uma estratégia diferente. Uma estratégia que nos permita recuperar o eleitorado que perdemos porque não fomos capazes, enquanto partido, de passar a nossa mensagem. Tal não implica a exclusão de quem lá esteve. Implica, isso sim, usar o conhecimento de quem lá esteve – e está – e aplica-lo de outra maneira por forma a apresentar as boas políticas que foram elaboradas ao longos destes últimos anos. É, por isso, que acredito que o CDS precisa de todos. Bem sei, também, que discordâncias políticas temos todos. É também certo que temos direto a essas discordâncias. Mas a partir do momento que essas discordâncias nos levam ao ponto de romper com a história e os valores que acreditamos então essa rotura só pode ter resultados desastrosos.

Embora não parecesse para fora, o que eu vi foi união, mesmo quando mais ninguém o viu. Enquanto os meios de comunicação social e muitos dos que acompanharam o Congresso do CDS viram um ambiente de crispação, eu vi um ambiente onde todos, apesar das diferenças de método, de idade ou outras que tal, estiveram a lutar até ao último segundo para apresentar as suas melhores versões para o partido. Onde se juntaram para apresentar aquilo que acreditam. Onde correram, falaram, debateram e não dormiram pelo bem do partido, do país e por aquilo que acreditam.

É, pois, nesta ambição, nesta luta pelo nosso partido, nesta luta pelo nosso país e nesta recusa a desistir que eu acredito. É este o CDS que eu acredito. Não num CDS mais pragmático ou mais ideológico. Não num CDS mais democrata-cristão, liberal ou conservador. Mas sim um CDS de causas, de luta, de disputa de ideias. Um CDS onde todas estas correntes e formas de ver a política se unem para debater, pensar e apresentar políticas para o nosso país. E é, por isto, que cada vez mais acredito no CDS, porque neste congresso o CDS mostrou que não está morto. Se alguns apregoavam à praça pública que o CDS estava morto, neste fim de semana provou-se que estavam errados.

Quero também deixar claro que que a “derrota” de um candidato ou de uma "ala" - ou o que lhe quiserem chamar - não é sinónimo de queda. Não neste caso. Pelo contrário. É por termos todos lutado por um partido melhor que devemos estar todos de pé e cabeça erguida. Porque primeiro que as nossas vitórias e derrotas pessoais, o que deve ficar é a luta que damos. É não termos arredado pé. É não termos fugido das dificuldades e termos lutado com as nossas forças mesmo quando todos lá fora declararam a nossa morte.

Este congresso foi, então, um abre olhos. Neste congresso eu vi essa vida. Vi o coração do partido bater com força e, mesmo contra todas as probabilidades, vi um CDS vivo. E é também por isto que acredito no CDS mais que nunca, porque nas adversidades só quem desiste é que é derrotado. Só espero, assim, que todos possam acreditar como eu. Se por momentos duvidei deste meu partido, posso agora dizer que, para além de lideres, direções ou "alas", este é o CDS que acredito. Esta é a minha casa.

 

 

Pedro

O CDS e o futuro

prolibertate, 14.01.20

Na altura em que Assunção Cristas chegou à liderança do CDS, eu pouco me envolvia em política partidária, até porque era, ainda, afastado do partido. Mesmo não tendo estado nesse Congresso, o da sua eleição, achei que o tempo diria se o meu apoio a Assunção Cristas se iria materializar.

Durante o primeiro mandato, e por causa da identificação ideológica, filiei-me no CDS e fiz a minha parte em analisar o trabalho de Assunção Cristas, tentando perceber se me revia na líder que ali estava. Aquando a sua reeleição, em 2018, o meu apoio a Assunção Cristas não foi, por certo, convincente. Apesar de não ter particular apreço pela forma de fazer política da pessoa em questão, respeitava-a, e continuo a fazê-lo, pela coragem em assumir o partido num processo de transição que lançava um desafio tão complicado.

É certo que cada um tem o seu estilo de fazer política, mas o estilo de Assunção pareceu-me, e posso até ser o único a dizê-lo, um pouco sem energia e sem capacidade de articular as propostas apresentadas que levassem o eleitorado a confiar nelas. A incapacidade de transmitir a mensagem revelou-se fatal. Com um programa eleitoral bastante bom, estilo de fazer política da Assunção não resultou, e o resultado esteve à vista nas últimas eleições.

Parece-me importante, também, dizer que não era nada contra a pessoa - nem é. Eu próprio, seguidor atento do governo de Pedro Passos Coelho, aceitei facilmente a figura de Assunção Cristas. Figura enigmática na altura, a sua maneira de fazer política veio a revelar-se uma surpresa não muito positiva - e tudo bem, pode acontecer a todos. Apenas a forma de fazer política, com a qual não me identifico, fez com que não me sentisse capaz de apoiar, de forma mais ávida, Assunção Cristas. Contudo, e para não correr o risco de ser injusto, a culpa não foi só dela. É também certo, penso eu, que a culpa foi de todos nós, militantes e simpatizantes do partido que também não fizemos, da melhor forma, a nossa parte.

Não vejo, por isso, uma grande necessidade de explorar um novo programa, com medidas mirabolantes e diferentes pela simples razão de serem diferentes. Não é uma clarificação ideológica que o CDS precisa. O CDS é um partido que representa as várias tendências da direita democrática e isso não é questão. Ainda assim, é importante para o CDS não entrar em histerias em torno das políticas e da ideologia, pois esses não parecem ser os problemas de fundo. Os problemas de fundo, já bem diagnosticados por outros militantes ao longo de vários textos aí espalhados nesta época de campanha interna, parecem ser o combate claro ao socialismo e a recuperação da situação administrativa e financeira do partido. Não discordo.  

É importante perceber, também, que o CDS neste momento não precisa de revoluções ou de messias – nem interessa ao partido que o tenha. Esta eleição interna não se trata da escolha de um líder que, sozinho, seja capaz de levantar o CDS do inferno em que está metido. O partido precisa sim de estabilidade e união. Precisa de descer à terra, de humildade para se voltar para às bases e reconciliar-se com aqueles que acreditam na visão do partido. Precisa de uma estratégia de comunicação virada para as suas ideias. Precisa de mais atenção à “policy” e não à politiquice. Enquanto o CDS não seguir esta linha, não irá sair do fundo em que está, principalmente se a liderança não tiver alguém capaz de cumprir tão árduas missões. Isso não é messianismo, é liderança.

Embora a experiência seja, quase sempre, o mote para estas coisas, há fases da vida em que não nos podemos agarrar à simples experiência. Se a experiência fosse uma ligação direta à competência, com toda a certeza o partido não teria chegado onde chegou. Experiência não falta no CDS, assim como não faltam quadros de brilhantismo reconhecido. No entanto, essa experiência levou também a uma estagnação. Uma estagnação dos mesmos e para os mesmos. Embora esses mesmos sejam necessários – todos os que vêm por bem o são - pela experiência que têm, tal não implica que sejam eles a ter a necessidade de guiar a direção do partido. Há vezes, e esta é uma delas, que precisamos de inovação, irreverência e longevidade, e é isso que o Francisco nos apresenta. 

Podem dizer-me, os mais céticos, que juventude não é sempre inovação. E têm razão. A juventude não é, nem será, um sinónimo de inovação, mas é, por certo, a conjugação da inovação com experiência que fazem a diferença, e o Francisco é o único capaz de unir estas duas características dentro do partido. Como disse em 2015 o filósofo recentemente falecido Sir Roger Scruton, “only by adapting what has worked for us, can we embrace and give form to what is new”, e não podia estar mais certo. É hora de juntar aquilo que sabemos que resulta com alguma inovação e de acabar com mais do mesmo, pela simples e obvia razão de que não resultou.

É por isso que acho que o Francisco é a solução certa para o CDS. Como já tive a oportunidade de escrever, o Francisco é uma pessoa moderada, sensata e ponderada, com um sentido de união que poucos propõem. Embora esteja ciente que quase todos os candidatos seriam capazes de liderar de forma satisfatória, não me parece que mais algum se enquadre numa conjugação de moderação e prudência, de tradição e inovação e de estabilidade e futuro. 

Só com alguém capaz de agregar as várias sensibilidades dentro do CDS, capaz de assumir a história do partido e os desafios do futuro é que será capaz de levar o CDS a um novo porto. E é por isso que acredito que o Francisco é o presente e o futuro do CDS. Um presente e futuro moderado, agregador, inclusivo, claro e com coragem. É, enquanto militante do CDS, aquilo que considero necessário para voltar a acreditar num partido com vocação nacional e de governo.

 

 

“We must all obey the great law of change. It is the most powerful law of nature”

                                                                                                                 Edmund Burke

 

Pedro