Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Non dubium pro libertate

"If liberty means anything at all, it means the right to tell people what they do not want to hear." George Orwell

Non dubium pro libertate

"If liberty means anything at all, it means the right to tell people what they do not want to hear." George Orwell

O CDS e o futuro

prolibertate, 14.01.20

Na altura em que Assunção Cristas chegou à liderança do CDS, eu pouco me envolvia em política partidária, até porque era, ainda, afastado do partido. Mesmo não tendo estado nesse Congresso, o da sua eleição, achei que o tempo diria se o meu apoio a Assunção Cristas se iria materializar.

Durante o primeiro mandato, e por causa da identificação ideológica, filiei-me no CDS e fiz a minha parte em analisar o trabalho de Assunção Cristas, tentando perceber se me revia na líder que ali estava. Aquando a sua reeleição, em 2018, o meu apoio a Assunção Cristas não foi, por certo, convincente. Apesar de não ter particular apreço pela forma de fazer política da pessoa em questão, respeitava-a, e continuo a fazê-lo, pela coragem em assumir o partido num processo de transição que lançava um desafio tão complicado.

É certo que cada um tem o seu estilo de fazer política, mas o estilo de Assunção pareceu-me, e posso até ser o único a dizê-lo, um pouco sem energia e sem capacidade de articular as propostas apresentadas que levassem o eleitorado a confiar nelas. A incapacidade de transmitir a mensagem revelou-se fatal. Com um programa eleitoral bastante bom, estilo de fazer política da Assunção não resultou, e o resultado esteve à vista nas últimas eleições.

Parece-me importante, também, dizer que não era nada contra a pessoa - nem é. Eu próprio, seguidor atento do governo de Pedro Passos Coelho, aceitei facilmente a figura de Assunção Cristas. Figura enigmática na altura, a sua maneira de fazer política veio a revelar-se uma surpresa não muito positiva - e tudo bem, pode acontecer a todos. Apenas a forma de fazer política, com a qual não me identifico, fez com que não me sentisse capaz de apoiar, de forma mais ávida, Assunção Cristas. Contudo, e para não correr o risco de ser injusto, a culpa não foi só dela. É também certo, penso eu, que a culpa foi de todos nós, militantes e simpatizantes do partido que também não fizemos, da melhor forma, a nossa parte.

Não vejo, por isso, uma grande necessidade de explorar um novo programa, com medidas mirabolantes e diferentes pela simples razão de serem diferentes. Não é uma clarificação ideológica que o CDS precisa. O CDS é um partido que representa as várias tendências da direita democrática e isso não é questão. Ainda assim, é importante para o CDS não entrar em histerias em torno das políticas e da ideologia, pois esses não parecem ser os problemas de fundo. Os problemas de fundo, já bem diagnosticados por outros militantes ao longo de vários textos aí espalhados nesta época de campanha interna, parecem ser o combate claro ao socialismo e a recuperação da situação administrativa e financeira do partido. Não discordo.  

É importante perceber, também, que o CDS neste momento não precisa de revoluções ou de messias – nem interessa ao partido que o tenha. Esta eleição interna não se trata da escolha de um líder que, sozinho, seja capaz de levantar o CDS do inferno em que está metido. O partido precisa sim de estabilidade e união. Precisa de descer à terra, de humildade para se voltar para às bases e reconciliar-se com aqueles que acreditam na visão do partido. Precisa de uma estratégia de comunicação virada para as suas ideias. Precisa de mais atenção à “policy” e não à politiquice. Enquanto o CDS não seguir esta linha, não irá sair do fundo em que está, principalmente se a liderança não tiver alguém capaz de cumprir tão árduas missões. Isso não é messianismo, é liderança.

Embora a experiência seja, quase sempre, o mote para estas coisas, há fases da vida em que não nos podemos agarrar à simples experiência. Se a experiência fosse uma ligação direta à competência, com toda a certeza o partido não teria chegado onde chegou. Experiência não falta no CDS, assim como não faltam quadros de brilhantismo reconhecido. No entanto, essa experiência levou também a uma estagnação. Uma estagnação dos mesmos e para os mesmos. Embora esses mesmos sejam necessários – todos os que vêm por bem o são - pela experiência que têm, tal não implica que sejam eles a ter a necessidade de guiar a direção do partido. Há vezes, e esta é uma delas, que precisamos de inovação, irreverência e longevidade, e é isso que o Francisco nos apresenta. 

Podem dizer-me, os mais céticos, que juventude não é sempre inovação. E têm razão. A juventude não é, nem será, um sinónimo de inovação, mas é, por certo, a conjugação da inovação com experiência que fazem a diferença, e o Francisco é o único capaz de unir estas duas características dentro do partido. Como disse em 2015 o filósofo recentemente falecido Sir Roger Scruton, “only by adapting what has worked for us, can we embrace and give form to what is new”, e não podia estar mais certo. É hora de juntar aquilo que sabemos que resulta com alguma inovação e de acabar com mais do mesmo, pela simples e obvia razão de que não resultou.

É por isso que acho que o Francisco é a solução certa para o CDS. Como já tive a oportunidade de escrever, o Francisco é uma pessoa moderada, sensata e ponderada, com um sentido de união que poucos propõem. Embora esteja ciente que quase todos os candidatos seriam capazes de liderar de forma satisfatória, não me parece que mais algum se enquadre numa conjugação de moderação e prudência, de tradição e inovação e de estabilidade e futuro. 

Só com alguém capaz de agregar as várias sensibilidades dentro do CDS, capaz de assumir a história do partido e os desafios do futuro é que será capaz de levar o CDS a um novo porto. E é por isso que acredito que o Francisco é o presente e o futuro do CDS. Um presente e futuro moderado, agregador, inclusivo, claro e com coragem. É, enquanto militante do CDS, aquilo que considero necessário para voltar a acreditar num partido com vocação nacional e de governo.

 

 

“We must all obey the great law of change. It is the most powerful law of nature”

                                                                                                                 Edmund Burke

 

Pedro

 

Comentar:

CorretorEmoji

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.