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Non dubium pro libertate

"If liberty means anything at all, it means the right to tell people what they do not want to hear." George Orwell

Non dubium pro libertate

"If liberty means anything at all, it means the right to tell people what they do not want to hear." George Orwell

Epítome de, e a, Churchill.

prolibertate, 30.11.19

A 30 de novembro de 1874, nascia um dos maiores Europeus da história do Velho Continente. Esta pequena, e em princípio não muito boa, epítome é sobre e para Winston Churchill, símbolo da resistência ao totalitarismo do século XX.

Estudante mediano, literado fora de série e com um gosto jubilar pelas palavras, chegou ao Poder à custa, não só mas também, da covardia de outros depois de falhar algumas vezes na vida.

Ao chegar, prometeu sangue, suor e lágrimas [até dizia que nada mais tinha a oferecer], e jurou nunca se render perante a ameaça ao estilo de vida do mundo livre.

Sem qualquer apreço por hipotéticas negociações com Hitler, que considerava asséticas e humilhantes, vociferou os ouvidos da House Of Commons com o épico discurso em que prometeu levar a Ilha Britânica a lutar nos campos, nas praias, no ar, na terra, e no mar; fosse a que custo fosse [afinal de contas, o nosso amigo Hitler estava entretido, apenas a umas centenas de milhas, a dominar os Franceses]. Audaz, e com uma oposição interna ácida, regozijou em tom de lamento que se fosse necessário, o Reino Unido lutaria por anos; se necessário, sozinho.

Com a Europa na penumbra das garras da Wehrmacht no início da década de 40, era dos poucos políticos Britânicos a acreditar na vitória do Reino Unido, id est, na vitória da democracia, na vitória do Ocidente per se.

Valha-nos o irascível santo das ironias políticas: sai derrotado das eleições de 1945; talvez se tenha aplicado a velha regra de que “quem faz a guerra, não pode fazer a paz”. Mas até aqui há ironia: Churchill foi dos grandes percursores e entusiastas de uma Europa Unida, talvez porque a história lhe havia de dar razão; em 1961, o mundo entra numa fase divisionista, causada por uma “cortina de ferro” que o próprio havia previsto; fase essa que se juntou às poucas vezes em que a incipiência da divisão entre bons e maus das histórias para crianças fez o mínimo de sentido.

Com mais tempo - ou se calhar só com mais paciência e necessidade – dedicou-se às artes, e ganhou o prémio Nobel da Literatura em 1953.

Mestre no ofício de juntar palavras, corrosivo no humor - a atividade mais transcendente que um homem pode executar na sua inglória e irredutível imanência - e com um carisma que colocava qualquer aspirante a ditador de pé atrás, ganhou poucas vezes na vida, mas quando ganhou fê-lo com esplendor e grandiosidade. A sua derradeira vitória foi aurora de paz.

Winston Churchill esteve do lado certo da história. Devido à sua pessoa, a civilização Europeia permaneceu com o espírito livre intocável, e, se calhar, até o aprofundou. Por fim, graças a Winston, ganhamos nós: filhos aclamados da ordem proporcionada pelo sistema que é o pior que o homem já criou, à exceção de todos os outros.

 

Luís.

 

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